Panorama é uma arte fotográfica que nunca deixa de impressionar e agradar. Nada como a visão larga e desimpedida de um espaço amplo para deixar o olhar perder-se imerso nos ricos detalhes da cena. É um olhar que sempre renova o interesse pelo assunto. Mas a fotografia panorâmica não se resume a paisagens.
Na era da fotografia de filme, desenvolveram-se vários métodos para obter fotos panorâmicas. Havia um tipo de câmera especial dedicada, que girava durante a captura da foto para registrar a imagem numa tira de película curva. Havia lentes super-grande-angulares que, combinadas a um filme de alta definição e um corte largo na foto, também produziam panoramas. No mundo digital, porém, é possível usar novas técnicas, que eram completamente inimagináveis na era analógica.

O método básico para criar um panorama digital com qualquer câmera é tirar uma sequência de fotos lado a lado e então “costurar” (stitch, em inglês) tudo via software, ficando as emendas completamente imperceptíveis. Se a lente usada causar distorção, o computador ainda consegue detectar os pontos de encaixe entre as fotos e corrigir a geometria de acordo.
A técnica digital da foto “costurada” não é tão óbvia como dá a impressão de ser. Bons resultados dependem de se conhecer os macetes. Por isso, esta matéria não vai se limitar a dar as instruções para editar a foto digitalmente. A boa qualidade do panorama começa no estágio inicial da captura. Usar a câmera corretamente é fundamental.
Existe uma grande variedade de softwares que produzem a costura da imagem. O que mostramos aqui é o Photomerge, que faz parte de dois programas da Adobe: Photoshop e Photoshop Elements. A maneira de usar dos dois é a mesma, mas a versão do Elements inclui comandos específicos para manipular fotografias de retratos e de grupos de pessoas.

Se você não possui nenhum dos programas, o Photoshop CS4 Extended para Mac está disponível para baixar e usar de graça durante 30 dias. Vá ao site da Adobe, seção Downloads.
Fotos niveladas
O ponto fundamental de um panorama composto é que as imagens não podem revelar deslocamento da tomada de uma para a outra, senão geram o chamado erro de paralaxe, que é quando nem todos os planos encaixam corretamente e alguns objetos fixos acabam “quebrados” na emenda.
Para eliminar a paralaxe, o reposicionamento da câmera deve ser relativo ao chamado centro nodal da lente, que fica em algum ponto à frente do sensor. Girando a câmera no tripé, qualquer desvio já deve ser pequeno o bastante para não chamar a atenção, caso a foto não contenha objetos muito próximos. Se a rosca do tripé não for alinhada com o centro da objetiva (o que ocorre em algumas câmeras subcompactas), haverá erro de paralaxe visível. Na falta do tripé, é extremamente recomendável apoiar a câmera em alguma superfície imóvel.

Resumindo, panoramas feitos com a câmera na mão e sem apoio podem ter falhas na costura se não se prestar atenção ao alinhamento entre as fotos.
Outro fator que pode dar dor de cabeça na costura da foto é o nivelamento da câmera. Quando você fotografa uma paisagem inclinada, pode perder a noção do horizonte e deixar de segui-lo com a câmera. O resultado é um panorama oblíquo, o que causa uma enorme perda de área se você fizer o recorte alinhado com o horizonte. Outro efeito desagradável do desnivelamento é que algumas partes da foto ficam alinhadas com a vertical e outras ficam inclinadas. Por tudo isso, nivelar a câmera é indispensável.
Por fim, não mude o ajuste de zoom entre as fotos. Todas devem ter a mesma distância focal.
Exposição
Outra questão interessante é o ajuste da exposição. O procedimento tradicional é capturar a cena com a câmera em modo de exposição manual, sendo os valores de velocidade e abertura iguais em todas as fotos, de acordo com uma leitura de luz média. Mas ao usar uma câmera automática, a cada nova foto ela faz a medição da luz e reajusta a abertura e a velocidade de acordo. Quando você cria um panorama que inclui o Sol ou uma área muito mais sombreada do que a média, o resultado é uma gradação de exposições.
Comparando as fotos uma com a outra, o Photomerge, detecta e compensa automaticamente essa gradação, evitando produzir uma imagem com áreas de luz estourada e outras escuras.
Redundância
Cada imagem deve conter uma porção razoável de área repetida em relação a sua vizinha. O software de costura precisa dessa redundância para detectar os pontos de encaixe e fazer a costura contornar os detalhes automaticamente. A regra que sempre funciona é ativar no visor da câmera a grade de terços (que divide a área da imagem em nove campos) e usar as linhas como guias. Num panorama horizontal, faça com que o terço direito de cada foto corresponda aproximadamente ao terço esquerdo da foto seguinte, e assim por diante.
Preparação das imagens
As imagens que serão transformadas em panorama podem estar no formato nativo JPEG ou no formato PSD do Photoshop. Minha dica é abrir todas elas e reduzir o seu tamanho com o comando Image > Image Size, a fim de reduzir o tamanho total da composição. É fácil criar um arquivo grande demais no Photomerge, fazendo o Photoshop sugar toda a memória e disco do seu Mac durante um tempo interminável e produzir um arquivo tão enorme que você não consegue nem salvá-lo no HD (pode rir, já aconteceu comigo!). Ademais, as imagens originais das câmeras digitais costumam ter uma resolução bem superior à definição da lente, de modo que eliminar alguns pixels não eliminará detalhes visíveis do resultado final. Para uma conversão veloz e totalmente limpa, experimente reduzi-las em 50% com a interpolação Bilinear.
Opções do Photomerge

O comando está contraintuitivamente situado no menu File > Automate > Photomerge. Dependendo da sua versão do Photoshop, ele pode ser diferente. A versão CS3 tem um modo manual simples, enquanto a versão CS4 tem só modos automáticos, o que é perfeitamente aceitável, já que a chance de erro é pequena. As opções de layout do panorama são as seguintes:
Auto – O programa analisa as fotos e decide sozinho entre as três opções seguintes.
Perspective – A imagem mais central do conjunto é mantida relativamente inalterada, e as demais expandem-se a partir dela. Serve para produzir efeitos dramáticos de lente grande-angular, com os objetos mais externos esticados.
Cylindrical – Deve ser usado para paisagens largas como as que ilustram o começo deste artigo. As fotos mantêm a mesma escala em relação umas às outras.
Spherical – Projeta todas as imagens numa esfera virtual, produzindo um efeito similar ao de uma lente semi-olho-de-peixe. É o método indicado para criar composições com fileiras e colunas de fotos (como a do box “Megapixels Multiplicados”).
Collage – Apenas ajusta a escala e rotação relativa das fotos, sem deformá-las.
Reposition – Apenas alinha as fotos, deixando a edição dos detalhes e transições por sua conta.
Vale a pena ativar sempre as três opções gerais que ficam embaixo da lista de arquivos:
Blend Images Together – Cada foto vira uma camada (layer) no arquivo composto. Esta opção faz o recorte das máscaras de camadas acompanhar contornos de objetos e evitar cortar ao meio os detalhes da imagem. É o verdadeiro pulo do gato do Photomerge: garante praticamente zero edições posteriores.
Vignette Removal – Eliminação do vinhetamento, aquele efeito da lente que deixa a imagem mais escura perto dos cantos.
Geometric Distortion Correction – Detecta e corrige a distorção introduzida pela lente da câmera, quando presente.
Ajustes nas emendas
Pode ser que o Photomerge tenha deixado escapar algum detalhe mal encaixado na emenda, como uma pessoa sem cabeça, um carro passando etc. Também é comum haver problemas de encaixe nas cristas de ondas em fotos de praias. A solução é simples, porém, você não precisa retocar a imagem; apenas escolhe o que ocultar ou revelar na região da emenda.

O seu panorama recém-gerado é composto de várias camadas, uma para cada foto original. O recorte aparece como uma máscara em preto e branco ao lado de cada camada na paleta Layers.
Selecione o pincel (tecla [B]) e, na barra de opções no topo, ajuste o tamanho da ferramenta. Coloque um valor alto para Hardness. Aperte a tecla [D] para colocar preto e branco no seletor de cores, e a seguir [X] para deixar branco como a cor primária e preto como a cor secundária.
Clique no ícone da máscara da camada para selecioná-la. Pinte com branco para tornar visível qualquer parte da camada. Pinte com preto onde quiser ocultá-la. Repita onde for necessário.
Correção de perspectiva
Na prática, você nem sempre vai fotografar um panorama com a câmera perfeitamente nivelada. Vai estar olhando um pouco para cima ou para baixo em muitos casos. Um panorama largo montado com o método esférico ou o de perspectiva irá apresentar convergência: as verticais não serão perfeitamente verticais. Mas isso é extremamente fácil de corrigir no Photoshop, usando o filtro Lens Correction. Numa única etapa, você já acerta todos os desvios de geometria da imagem. Ele é muito mais poderoso do que o Free Transform e sempre respeita as proporções internas da imagem. Siga os passos:
Achate a imagem (Layer > Flatten Image). O filtro está localizado aqui: Filter > Distort > Lens Correction.
No pé da janela há um controle para a dimensão (Size) do Grid. Ajuste-o para o valor que permita melhor enxergar os detalhes verticais da cena.

Todos os comandos que nos interessam estão na seção Transform. Primeiramente, ache algum detalhe vertical bem no centro; ignore por ora a inclinação nas laterais. Gire o controle Angle para alinhar o centro com a vertical da grade. Se a inclinação for sutil, entre manualmente com um valor numérico. Números positivos são para rodar no sentido anti-horário e negativos para rodar no sentido horário.
Mexa agora no controle Vertical Perspective até conseguir o alinhamento de todas as verticais até as bordas laterais da imagem. Para um ajuste fino, mude o valor numérico de um em um, usando as teclas de setas verticais.
Se um dos lados da imagem estiver mais alto que o outro, atrapalhando o corte (Crop), compense isso usando o controle Horizontal Perspective.
Dica final: para imprimir sem desperdiçar papel, monte no Photoshop uma só imagem com dois panoramas, um sobre o outro. Depois de impresso, separe-os, cortando o papel com estilete e régua. •
Mario Amaya adora fazer panoramas em saídas fotográficas… quando lembra de fazê-los.
Tags: Fotografia, panorama






J. Júlio
1 de novembro de 2009 @ 8:11
Obrigado pela dica! Comecei a arte de fazer panorâmicas e suas dicas valeram para mim!
Abraços!