Contraste e brilho perfeitos
As câmeras digitais de hoje têm uma capacidade de detectar e registrar a luz que soaria como ficção científica mirabolante há apenas 20 anos. Elas são capazes de regular automaticamente o foco, a sensibilidade, a velocidade, a abertura e o balanço de branco, tudo ao mesmo tempo e até várias vezes por segundo. O problema é que até a câmera mais sofisticada continua errando no julgamento em situações razoavelmente triviais. Fotos com a luz “estourada” ainda são comuns; fotos completamente escuras também.
Mas as imagens que pessoalmente me incomodam mais são as fotos com o contraste tosco. Em todos os casos, programas como o Photoshop, Lightroom e iPhoto conseguem intervir um pouco no problema, senão resolvê-lo totalmente. Mas ainda é preciso treinar o olho para saber o que está errado a fim de consertar. Como os exemplos mostram, cada foto é um caso.
Como a câmera mede a exposição
A fotometria nas câmeras digitais usualmente é feita de tal maneira que a luz registrada pelo sensor atinja um certo nível previsto de captação, levando em conta a sensibilidade ISO, a abertura do diafragma da lente e a velocidade do obturador – parâmetros que podem ter sido selecionados manualmente ou automaticamente.
A luminosidade considerada adequada é pré-programada na câmera de acordo com um padrão da indústria. Segundo esse padrão, a exposição da cena inteira deve corresponder na média à luminosidade de uma cor de referência, que é o tom de cinza neutro a 18%.
Isso mesmo: todas as fotos que sua câmera point-and-shoot faz são expostas em relação a um valor abstrato, programado na fábrica, e não em relação às características reais da cena.
Por esse motivo, é claro que a câmera não conseguirá sempre acertar sozinha. Para ajudar, ela costuma dar mais peso na medição da luz à área central da cena, que é onde é mais comum estar o assunto da imagem em fotos amadoras. Os modos de cena prontos, abundantes nas câmeras modernas, também são de valia para ajudá-la a “entender” melhor o que está capturando. Mas tudo isso ainda pode não ser suficiente.
Compensando na câmera
Eis os exemplos mais comuns de fotos em que qualquer câmera pode se confundir e errar feio na exposição:
•Retratos em contraluz, que podem deixar a pessoa silhuetada e escura, mesmo com luz suficiente no seu rosto;
•Imagens urbanas noturnas com uns poucos objetos intensamente luminosos, como postes de luz, também ficam sem detalhes nas sombras;
•Objetos claros sobre fundos também claros acabam resultando em imagens sem contraste e escuras.
É por isso que toda câmera traz um ajuste manual chamado compensação de exposição. Em algumas delas, o comando está bem à mão, acessível diretamente por um botão e não através de menus. É representado pelo símbolo quadrado com um sinal de mais e outro de menos.
Ao acionar esse controle, você tem uma escala para cima e para baixo, que na maioria das câmeras permite subexpor ou superexpor a cena até dois pontos em relação ao valor medido, com etapas intermediárias de um terço de ponto. Para dar uma ideia da proporção dessa escala, cada ponto de exposição corresponde a 100% de luz a mais ou a menos, conforme se super-expõe ou subexpõe. Isso quer dizer que nos extremos da escala você pode fazer entrar até um quarto da luz ou até quatro vezes a luz em relação ao que a câmera considera correto por seu ajuste de fábrica.
À medida que você mexe na compensação de exposição, a câmera simula no LCD a aparência da imagem a ser capturada em cada posição do ajuste, o que facilita muito seu trabalho. Só não se esqueça de colocá-lo de volta no zero para não tirar as fotos subsequentes com valores errados!
Fotos digitais, assim como as fotos de filme em cromo (slides), toleram melhor um pouco de superexposição do que subexposição, porque têm mais dificuldade em registrar detalhes nas sombras do que nas áreas claras.
Dica: em caso de dúvida, não há perigo em dar um terço de ponto a mais de exposição em foto digital e, caso seja realmente necessário, compensar no Photoshop depois, obtendo um pouco mais de riqueza de detalhes nos tons escuros.
Bracketing de exposição
Há uma maneira mais sofisticada de fazer uma exposição personalizada, que é especialmente indicada para paisagens e objetos estáticos. É o bracketing de exposição, também usualmente disponível em câmeras amadoras. Com ele ativado, a câmera produz três fotos em rápida sucessão: uma com a exposição programada, outra subexposta e outra superexposta. É uma boa para quando você não tem tempo de decidir nada na hora da captura, mas somente depois, ao fazer a pós-produção das fotos no Mac. Se a captura tiver sido feita com tripé, ou de outro ponto de vista estável, é possível pegar duas dessas fotos – ou o trio – e usá-las para montar uma imagem de alcance dinâmico estendido, também conhecida como HDR (falamos disso na edição 37 da MAC+).
Histograma é nosso amigo
E como saber que a exposição está correta, na ausência de uma leitura direta confiável da luz? A dúvida pode surgir em cenas pouco iluminadas, em cenas tão iluminadas que você mal consegue enxergar a imagem no visor LCD da câmera, ou ao operar a câmera com o olho no viewfinder (visor óptico).
Felizmente, existe mais um auxílio para julgar a luz da cena; assim como os fotômetros manuais de outras eras, este é implacavelmente numérico. É o histograma, o gráfico que mostra a distribuição relativa da luz por tom na imagem. Em uma câmera digital, ele reage à luz presente em tempo real, com leitura e feedback instantâneos.
Normalmente o histograma não vem ativado; fica oculto dentro das opções gerais da câmera. Os fabricantes devem achar que sua presença intimida as pessoas ou atrapalha demais a visualização, quando, na verdade, é um dos mais eficazes instrumentos disponíveis na hora da captura.
Funciona assim: a extremidade esquerda do histograma corresponde ao preto na imagem capturada, e a extremidade direita, ao branco. Os picos e vales do gráfico representam a quantidade relativa de pixels na imagem em cada tom, desde o preto até o branco. Dessa forma, se a cena contém uma área ampla com mais ou menos os mesmos tons, eles aparecem como um pico dominando o gráfico. Objetos muito brilhantes são traduzidos em um pico visível do lado direito. E assim por diante. Cenas pouco contrastadas têm as áreas elevadas do gráfico concentradas em torno do centro.
O último pico do lado direito representa a luz que vem do objeto mais claro de toda a cena. Se a sua exposição estiver abaixo do ideal, haverá um espaço vazio entre ele e o extremo do gráfico. Aumente a exposição para aproximá-los. O mesmo acontece do lado esquerdo, com os tons mais escuros, mas não é tão comum.
Alcance dinâmico versus contraste
Quando você baixa da câmera uma foto em formato RAW (isto é, ainda não processada), pode ver que há alguma coisa esquisita com a relação entre as cores e os tons. É comum que elas pareçam bizarramente coloridas demais, ou muito pouco contrastadas. Isso acontece porque a câmera consegue captar um alcance dinâmico (diferença entre os tons mais claros e os mais escuros) mais amplo até do que seu monitor é capaz de representar visualmente. Sua tarefa, ao estabelecer o contraste final da imagem, implica destruir um pouco da informação para privilegiar o que interessa mais. Por exemplo, ao ressaltar os tons da pele de uma pessoa retratada, pode ser necessário deixar o cenário um pouco claro ou escuro, sacrificando alguns detalhes para poupar outros.
Eventualmente, fotos em JPEG, que a câmera já processou internamente, também podem chegar ao computador desse jeito insatisfatório, mesmo sendo ricas em informação útil.
Nessa hora, entra o histograma mais uma vez. Seja no Adobe Camera Raw, no Photoshop ou no Lightroom, sempre há um histograma por perto para ajudar você a “encaixar” toda a gama de tons dentro de sua imagem dentro do espaço de representação que o computador oferece entre o preto e o branco. As instruções de usar são similares para todos os programas:
•iPhoto – Quando você seleciona a foto e clica em Editar, o último ícone do lado direito é o Ajustes. No topo dele aparece o histograma, seguido de quatro controles deslizantes que afetam os tons da imagem: Exposição, Contraste, Pontos de luz e Sombras. As cores no histograma representam os três canais de cor que descrevem a foto: R (vermelho), G (verde) e B (azul). (É normal que eles não coincidam muito um com o outro.) Para a distribuição ideal de tons, você pode ignorar os controles deslizantes e atacar o histograma diretamente. Arraste as setas nas extremidades do histograma para dentro, até começarem a interceptar os picos do gráfico em ambos os lados. O efeito será o de um aumento no contraste. A seguir, caso necessário, arraste a seta central do histograma para determinar os tons médios.
•Photoshop – O histograma pode ficar permanentemente visível, como painel independente (normalmente agrupado com os painéis Info e Navigator). Mas ao abrir Levels ([Command]+[L]) ou Curves ([Command]+[M]), o histograma aparece no fundo dos controles. Em Levels, a correção de contraste é feita da mesma maneira que no iPhoto: arraste as setinhas sob o gráfico até alinhá-las com o começo dos picos, e mova lateralmente a seta central para determinar os meios-tons. Curves permite alterar diretamente e de maneira arbitrária o contraste pela colocação de pontos de controle (observe a ação das curvas nos exemplos descritos nos boxes de pé de página deste artigo).
Agora, uma dica importantíssima para o Photoshop. Quando você faz uma alteração muito radical com Levels ou Curves no espaço de cores RGB, a saturação e os matizes das cores sofrem alterações desagradáveis. Isso tem solução: crie a curva como uma camada de ajuste e mude seu Blending Mode (menu no topo do painel Layers) para Luminosity.
Solução de problemas comuns de brilho e contraste usando curvas
Controle de tons localizado no Photoshop
Até agora, falamos apenas de ajustes gerais, que envolvem a imagem inteira. Mas sempre vai haver a necessidade de ressaltar ou consertar apenas uma parte da imagem.
Tradicionalmente, sempre houve várias maneiras populares de mudar a luminosidade de forma localizada. Avançando mais ou menos do método mais antigo para o mais moderno, temos:
•Ferramentas Dodge e Burn (tecla [O]): ajuste o tamanho do pincel (Brush) e se os tons a clarear (Dodge) ou escurecer (Burn) são os mais claros (Highlights), médios (Midtones) ou escuros (Shadows). Clique até obter o efeito desejado.
•Levels ou Curves com seleção: selecione com o laço (tecla [L]), suavize
a fronteira da seleção conforme necessá-rio com Select > Modify > Feather e então aplique Curves ou Levels, o que
for mais conveniente.
•Levels ou Curves com máscara: selecione, mas em vez de aplicar Curves ou Levels diretamente, crie uma camada de ajuste. Sua seleção vai se tornar uma máscara de camada, que poderá ser modificada e refinada depois, da mesma forma que a própria camada de ajuste.
•Levels ou Curves com máscara, estilo CS4: crie o ajuste diretamente no painel Adjustments e edite a máscara no painel anexo Masks, podendo definir o Feather da máscara posteriormente.
Mas existe ainda mais um método possível. Para ajustes localizados, este acaba sendo o mais simples de todos. Talvez seja também o mais intuitivo para usar, porque não envolve a criação e manipulação de máscaras – um dos grandes obstáculos lógicos que o Photoshop impõe sobre os usuários casuais.
A técnica usa uma camada de Overlay sobre a imagem original. Overlay é um dos modos de mesclagem (Blending) que afeta a luminosidade do que estiver por baixo, e também a saturação. Os pixels da camada que não afetam nada são aqueles que possuem um tom neutro médio (lembra daquele papo do cinza padrão no começo do artigo? Pois bem, ele existe no mundo virtual também). Siga os passos:
Carregue sua imagem. Peça uma camada nova clicando na folha de papel no pé do painel Layers.
Clique no quadrado inferior do seletor de cores. Peça 0-0-50% em HSB (ou 128-128-128 RGB, 54-0-0 Lab, #808080 Web). É o cinza-padrão médio.
Dê [Command]+[Delete] para preencher a camada de cinza.
No menu do Blending Mode, em Layers, selecione Overlay. A imagem voltará à aparência original.
Dê um “reset” no seletor de cores, teclando [Z]. Pegue o pincel (tecla [P]) e pinte. Tecle [X] para trocar entre preto e branco.
Você pode mudar a porcentagem de Opacity da camada para controlar a intensidade do efeito, depois de criado.
Mario Amaya não sai de casa sem seu histograma – quer dizer, sem sua câmera digital com o histograma ativado.








é uma pena que os fotografos não estudam um pouquinho fotografia, so sabem apertar botão. Computador então nem pensar! ESTA MATERIA seria algo obrigatorio que todo profissional deveria de ler ou saber. MUITO BOM
parabens
Sergio Galera