Estava eu em busca de um leitor de RSS para meu iPhone, quando me deparei com o “App Google Reader”. Legal! Depois do Gmail, o Google fez um programa para o Reader no iPhone? Fiquei entusiasmada. Mas logo percebi que não era nada disso. Vi o preço: U$ 0,99. Cobrar por aplicativos não é típico do Google. Mas o desenvolvedor não é o Google, e sim um ser obscuro. Se não é um programa oficial, por que esse nome e o ícone padrão do Reader? Fui investigar.
O aplicativo não tem funcionalidades. É apenas a página mobile do Safari “disfarçada” de um software para iPhone! As pessoas gastam seu dólar em uma coisa que já existe de graça! O que me deixa furiosa é a Apple liberar esse tipo de coisa na App Store. Como bem sabemos, ela é rigorosa. Por que liberou esse pega-trouxas? Ganância? Vale a pena colocar em risco sua reputação por isso? Fiquei refletindo…
* * *
Depois de muito refletir, cheguei à conclusão de que, sim, é ganância, sem medo de colocar em risco sua reputação. Assim como alguns senadores da República, a Apple está se lixando para a opinião pública. Basta ver o imbróglio em que se meteu com o FCC por causa do Google Voice. A resposta oficial foi fria, dúbia, que não dá esperança de mudanças. Michael Arrington, um dos blogueiros mais influentes do mundo, chamou a Apple de “mentirosa”.
Então, podemos concluir que não teremos nada de VoiP e streaming sobre 3G se a AT&T não quer. Contudo, a culpa não é só da operadora. Os aplicativos rejeitados são por motivos mesquinhos – como a negativa ao Opera Mobile e clientes de email por “competirem com aplicações nativas do aparelho” – ou ridículos, como a rejeição de um software de wallpapers, com uma imagem do presidente Obama com a palavra “hope”, por “ridicularizar uma figura pública”.
O que está por trás de tantas recusas? E por que aprovar aplicativos malandros, como o tal “App Google Reader”? Fiquei refletindo…
* * *
Cansada de refletir, fiz uma retrospectiva. Quando a Apple deu sinais de que viraria uma controladora desenfreada? Talvez há alguns anos, ao lançar um tocador de músicas portátil que só funcionaria com o iTunes. E depois, com músicas compradas só na sua loja. Ninguém chiou, ao contrário, o iPod virou lenda.
Por que os fãs da empresa perdoam o pecado número um do mundo digital, “don’t be evil”, quando se trata de Steve Jobs? Quando ele adoeceu, pensei que, se ele falecesse, seria eternizado como uma mente audaciosa, que revolucionou nossos costumes. Mas também pensei que, se ele sobrevivesse, correria o risco de se transformar no inovador cuja genialidade subiu à cabeça. O dominador que queria que as pessoas usassem tecnologia à sua maneira.
Ainda bem que Steve Jobs melhorou e voltou a trabalhar, caso contrário, eu jamais publicaria essas mórbidas reflexões. Ele ainda tem alguns anos para reverter tudo, enquanto os críticos da Apple estão em número menor que o de fãs. O que aconteceria se a Microsoft anunciasse que seu tocador Zune só funcionaria com o Windows Media Player? Uma nova jihad?
Reflitam…
Bia Kunze é dentista e mantém um blog, o Garota Sem Fio. Imagem por Suryara.
Tags: app store, Apple, Mais ou Menos






Tweets that mention Mac+ » Reflexões sobre a AppStore -- Topsy.com
27 de outubro de 2009 @ 1:17
[...] This post was mentioned on Twitter by Bianca Hayashi and Cassio Diego, Robeilton. Robeilton said: Ganância chega a AppStore RT @macmais Reflexões sobre a AppStore http://migre.me/a0xI [...]
Emanuel Campos
27 de outubro de 2009 @ 10:33
Excelente artigo, antes de rixas do tipo mac x pc, que são ridículas em sua natureza, uma crítica construtiva e objetiva como a sua são sempre bem vindas. eu mesmo venho questionando diversas destas ações recentemente, como a briga Pré x iTunes, mas na outra face da moeda, esta luta entre controle…
Marcelo
27 de outubro de 2009 @ 10:37
Vixe, Bia, vão chover críticas dos applemaníacos, boa sorte… De todo modo, concordo com você. Há tempos tento entender essa “boa vontade” que todos têm com a Apple, acho que é só um fetiche, sei lá.
Marcos Morais
27 de outubro de 2009 @ 11:07
Bia… com todo respeito… mas desde quando a Apple não é controladora desenfreada? ela sempre foi!
E sempre foi por motivos óbvios… será que ela conseguiria fazer produtos tão intuitivos, sincronizados… que case perfeitamento hardware e software… se ela não controlasse a experiência do usuário?
Me diga como seria possível ter todo aquele área de ajustes e syncs de ipods e iphones que temos no itunes… no windows media player? não teriamos. Isso sem contar com opções de classificação e organização de musicas que nem existe no WMP.
Pra terminar… se queremos que a Apple e o Steve Jobs continue fazendo produtos tão audaciosos e revolucionários como disse… devemos esperar que junto a esse produto… já venha uma experiência de uso toda planejada. E ao meu ver… é exatamente por isso que viramos fãs da Apple.
Obs: O zune so roda com o Zune Media Player.
Abraço
Rhino
27 de outubro de 2009 @ 13:40
Quem criou o mercado que não existia até então, pode a sua melhor maneira ditar como o negócio “dele” vai funcionar… Não somos obrigados a comprar iPods ou músicasas na iTMS. Para aqueles que usa o serviço e todo o ecossistema junto, está contentíssimo e satisfeito, por tudo funcionar perfeitamente e de maneira suave, simples. Aos invejosos e mesquinhos querendo lucrar no sucesso alheio, restam as reclamações, lamentaçãoes e muita choradeira…
Felipe Cepriano
27 de outubro de 2009 @ 20:49
Bia, só esqueceste de uma coisa: O Zune sim, só funciona com o Zune Desktop (acho) e só toca musicas compradas no Zune Marketplace.
E a estratégia da Apple é essa mesma, não vender produtos, mas soluções.
Eles não vendem um tocador de MP3, mas uma solução de música portatil, que inclui o iPod, o iTunes e a iTunes Store. Tudo sobre o controle dela, pra ela ter certeza que tudo funcione (ou não) como ela quer.
Tratam os consumidores como crianças, guiando-os pela mão. Mas a verdade é que a maioria gosta de não ter que se preocupar com certas coisas e ser guiado por alguém.
PS: Acho que o Jobs sempre foi maníaco por controle. Não era ele que não queria que o Mac tivesse expansão de memória porque não queria os consumidores fuçando as máquinas?
Zillomab
30 de outubro de 2009 @ 17:20
Alguém sabe dizer por que algumas apps não aparecem na App Store do Brasil?
Não estou falando dos jogos, pois esses todo mundo sabe que a Apple não libera para essa Brazucada que está aí.
Eu já tive problemas com duas apps que deveriam estar sendo vendidas por aqui. A primeira foi o Nota do Melvin Rivera. Depois de meu email para ele e dele para a Apple o programinha apareceu na loja brasileira.
O segundo foi o Nlog, que no Brasil só tem a versão Free. Mandei um email para o desenvolvedor e ele estranhou a situação. Segundo ele a Apple não sou informar o que estava acontecendo e que iria verificar, mas até hoje a situação continua.
O problema é que o trio iPod, iPhone e iTunes é imbatível como sistema de distribuição de mídias e apps. Fazendo desses produtos sucesso imediatos.
Infelizmente as políticas implantadas para cada país se tornam complicadas de implementar nos vários filtros que os servidores da iTMS tem, causando problemas aos usuários que são jogados em guetos virtuais.
Com qual AppStore você vai? (parte I) | Apple
3 de novembro de 2009 @ 18:43
[...] escrevi, na revista Mac+, uma crítica à Apple e ao modelo de comércio praticada na sua loja de aplicativos, a AppStore, [...]
Alex Carvalho
5 de novembro de 2009 @ 10:06
A Bia deve estar sofrendo por ter feito tantas crítias ao iPhone em seu lançamento e ver como o produto evoluiu, simplesmente com atualizações de software e oferta de serviço, coisa que jamais ocorrera com os concorrentes, pois para cada novo recurso, era necessário adquirir um novo aparelho. Agora que seus gadgets preferidos amplamente defendidos parecem quinquilharias dígnas de serem vendidas em brechó ou expostas em museo; e olha que ironia… Toda fabricante que tambérm teceram críticas ao iPhone, agora estão fadados a fabricarem seus “iPhones-like” e pior de tudo, imitar a oferta de serviços da Apple. Criticar a política de aprovação dos aplicativos na loja para justificar um descontentamento de algo que adquiriu e não gostou… Ora, o que dizer dos celulares que tanto resenhou em seu blog que hoje não prestam nem para mostrar aos amigos? Quem vai reclamar agora que tais aparelhos (melhores que o iPhone” agora não estão nem adequados à quantidade de serviços usados na internet, pois o telefone não consegue lidar com os padrões atuais ou navegar decentemente…
Pesquise anets de adquirir qualquer coisa, ou volte para seus queridos gadges e tente viver com eles no dia-a-dia… Se conseguires!
Bia Kunze
5 de novembro de 2009 @ 11:44
Alex, não entendi patavina do seu comentário. Que gadgets “amplamente defendidos” você diz, se eu tenho e uso aparelhos de TODAS as plataformas móveis?
Que descontentamento é esse de algo que adquiri e não gostei?
Os celulares que hoje nem servem para “mostrar aos amigos” seriam porque estão obsoletos? Desculpe, TUDO fica obsoleto ao longo do tempo, produtos de informática então, nem se fala!
E eu estou sofrendo porque o iPhone melhorou? Essa entendi menos ainda!!!
“Pesquise antes de adquirir qualquer coisa” foi a melhor. Eu não pesquiso. Eu recebo TUDO para testar, semanas a fio. É mais profundo que pesquisar, certo? Todas as minhas observações e resenhas, que faço em todos os veículos de comunicação onde estou, nascem do uso no dia-a-dia como ferramenta de trabalho.
Desculpe a falta de modéstia nesse caso, mas nada do que escrevo é palpite ou observação, viu? É hands-on!
E como todo artigo de opinião, todos podem concordar ou discordar.
Só não aceito você dizer que tenho que “voltar para um ou outro gadget” ou dar a entender que sou desinformada ou simplesmente uma consumidora frustrada. O desinformado aqui é você, que certamente anda por fora do que é hoje meu trabalho…
Alex Carvalho
5 de novembro de 2009 @ 13:15
Só rever suas resenhas ná época do lançamento do iPhone 2007 (porque eu não esqueço), comparando-o com os aparelhos da “atualidade”. Quanto desdém, mal podia enxergar que alí nascia o divisor de águas do que conhecíamos como aparelho celular.
Quanto desdém, quanta soberba… o que dizer daquelas aparelhos ótimos em questão nos dias de hoje? É possível ainda usá-los? Deveriam, pois eram o máximo faziam coisas incríveis que o iPhone (coitado) não era capaz…
A indústria de celular havia parado no tempo, o iPhone veio para revolucionar sim, e de fato a industria caiu de joelhos. Mas os fas de Nokia e Cia não queriam enxergar! o que dizer agora, onde tudo pe baseado no iPhone. Por que isso, se ele era tão capenga como resenhado diversas vezes, cadê a inovação do setor???????????????????????????????????????
Bia Kunze
5 de novembro de 2009 @ 15:33
Desdém e soberba? É lógico que se o iPhone de 2007 continuasse do mesmo jeito, ele não cresceria como cresceu. Não mudo nada do que falei, cabe direitinho no contexto da época.
Mas as coisas progrediram, a Apple viu que aquele negócio de “web apps” não estava com nada, e do OS 2 em diante ele começou a melhorar.
Em nenhum momento nego a importância do iPhone na era da mobilidade, na mudança de costumes, na adoção maciça por leigos, que passaram a conhecer a internet móvel.
Sobre funcionalidades, sim, muitos aparelhos fazem o que o iPhone ainda não faz. Cada um escolhe o que achar melhor.
E eu não sou fã de Nokia, ou de Windows Mobile, nem de nada. Sou fã de tecnologia móvel. Reconheço os altos e baixos de cada sistema. Tenho um iPhone também e eu o uso bastante.
E paro por aqui… “do not feed the trolls”…
Cassio
17 de novembro de 2009 @ 19:24
Olá Bia,
Conheci o seu trabalho através da revista Mac+ e sempre tendo a discordar de alguns pontos. Ainda bem, pois estamos em uma democracia saudável e pessoas pensam diferente. Concorda?
Mas achei importante escrever hoje, depois de ler a matéria da revista, para fazer uma observação: o iPod é um sucesso porque, dentre muitos aspectos, toca os formatos de música digital mais populares, e não apenas as músicas compradas na iTunes Store. Ou seja, exatamente o contrário do afirmado por você no parágrafo que começa com a frase “Cansada de refletir”.
Um abraço.