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Melhorias no MacBook Pro i5, agora com processador quadicore

:: por Redação macmais :: 27/06/2010 :: Comentários Desligados

Por Sérgio Miranda

Fotos por Marcello Garcia*

Todos os anos, somos bombardeados pela mesma propaganda da Apple: agora, sim, temos o Mac mais rápido de todos os tempos! É claro que, com processadores mais novos e cada vez mais poderosos, só podemos esperar realmente uma melhor performance a cada nova geração. Não poderia ser diferente quando, em maio, foi apresentada a nova linha de MacBooks, tanto o modelo básico branco como os MacBooks Pro. Porém, há uma diferença: depois de uma longa espera, finalmente, os notebooks da empresa comandada por Steve Jobs chegam à era dos quadcore (quatro núcleos), algo que muitos fabricantes de PCs tradicionais já haviam feito. Afinal, os novos chips da Intel instalados na mais recente geração de notebooks da Apple foram lançados em janeiro, na CES 2010.

Chegou-se a cogitar que os MacBooks com os processadores quadcore seriam lançados em fevereiro, coincidindo com a Macworld 2010, mas não foi isso que aconteceu. O motivo? A Apple não responde. Mas tudo bem. A linha de notebooks da empresa de Cupertino foi remodelada, embora em termos. Depois da mudança radical promovida pelo processo unibody, em 2009, não era de esperar uma transformação total de leiaute dos MacBooks Pro ou do modelo básico, branco. E, apesar de a Intel ter apresentado três novos chips (i3, i5 e i7), apenas dois chegaram aos MacBooks Pro (o modelo branco continua com os Core 2 Duo), e só os modelos de 15 e 17 polegadas foram atualizados, deixando o de 13 polegadas parado no tempo. Por quê? A Apple não responde.

Mas isso não atrapalhou quem soube esperar pelos MacBooks Pro mais rápidos de todos os tempos. Será?

Quatro vezes mais?

Logo de cara, a impressão é de que os MacBooks Pro lançados não têm nada de mais rápidos, afinal, a geração anterior rodava com velocidades de 2,53, 2,66 e 2,80 GHz, enquanto os novos estão com clock de 2,40, 2,53 e 2,66 GHz. Como, então, eles podem ser mais velozes? A explicação é simples: baseados na arquitetura Arrandele, os chips conseguiram melhoramentos internos, como aumento na frequência (velocidade de clock) e no trabalho que a CPU faz a cada ciclo (número de instruções completadas por clock, ou IPC, na sigla em inglês). Por isso, mesmo parecendo que as velocidades são menores, elas, na verdade, são maiores.

Nos detalhes Muito parecido por fora com a versão anterior, o MacBook Pro tem um novo conector MagSafe, mais parecido com o do MB Air, e uma bateria mais potente. E para o Brasil, a Apple precisou criar adaptadores e tomadas diferenciados, em concordância com a legislação do nosso país.

Os MacBooks Pro usavam os processadores Core 2 Duo, com dois núcleos, enquanto os i5 e i7 têm dois núcleos, mas que conseguem trabalhar dois threads ao mesmo tempo – com base na tecnologia Hyper Threading, um sistema inteligente que consegue a mesma performance de quatro núcleo (quadcore, em inglês), mas sem os gastos de energia necessários para ter os núcleos fisicamente. Como em um notebook toda economia é bem-vinda, é bom saber que se consegue mais poder sem gastar mais.

Contudo, a Apple decidiu que os dois modelos de 13 polegadas, ou seja, o branco e o Pro, ficariam presos ao Core 2 Duo por enquanto. Mesmo sendo os dois MacBooks mais populares, eles perderam a chance de ganhar melhor performance. Ao que tudo indica, a empresa continua acreditando que os usuários domésticos não precisam tanto de velocidade de processamento para suas necessidades. Uma decisão sempre polêmica e que, por vezes, já se mostrou errada, como quando os iMacs G3 não ganharam seus gravadores de CD porque, para Steve Jobs, ninguém precisava disso. O erro custou caro para a Apple, que ficou para trás.

A Apple Brasil gentilmente cedeu um MacBook Pro de 15 polegadas com processador i5 de 2,4 GHz para esta matéria. Ao realizar nossos testes de benchmark e comparando com os modelos anteriores, pudemos perceber que o novo MBP chega a ser 14% mais rápido em alguns testes (como o do Cinebench). E no caso de conversão de vídeo, algo em que quanto mais núcleos, melhor, a vantagem do i5 sobre os Core 2 Duo é arrebatadora. Para quem trabalha muito com vídeo, valeu a pena esperar pelos novos MBP.

Vídeo mais poderoso

Mais uma vez, a Apple e a NVIDIA trabalharam juntas para desenvolver uma placa gráfica com melhor performance e menos gasto de energia. Até a geração passada, a Apple decidiu resolver essa equação da maneira mais rápida: dois chips, um mais poderoso (o NVIDIA 9600M) e um mais econômico (9400M). Para acessar um ou outro, era preciso abrir o Preferências do Sistema, alterar entre melhor performance e uma vida de bateria melhor e reiniciar o computador. Isso mudou.

Agora, os MacBooks Pro com processador 15 fazem essa troca entre os dois métodos (melhor performance ou mais bateria) automaticamente. Ao perceber que o MacBook Pro está desconectado da tomada e não está exigindo muito do processador, o sistema aciona o método para conservar mais energia. Mas se houver mudança de cenário (ou se o MBP for conectado à energia ou algum aplicativo mais exigente é ligado), a troca é feita sem que o usuário perceba. Isso é bom e ruim, afinal, nada melhor do que não ficar pensando quando é necessário alterar entre um modo ou outro, mas nem sempre é melhor deixar a máquina tomar todas as decisões por você. Se você é um daqueles que acredita que a Apple sabe o que está fazendo, não há nada com que se preocupar.

A outra alteração drástica é que, dentro do MacBook Pro, sai um dos chips gráficos da NVIDIA e entra novamente em cena uma GPU Intel, a HD Graphics. Integrada à placa mãe, esse processador gráfico é suficiente para atividades básicas e consome muito menos energia do que a placa GT 3300M da NVIDIA, que substitui a 9600M. Novamente, não se impressione pelo número menor na nova placa gráfica: a GT 3300M é um chip com 48 núcleos (SPs), 16 a mais do que o chip anterior (a 9600M tem 32 núcleos). Além disso, a velocidade de clock também é maior. O que isso significa? Agora que o Mac também pode acessar a loja de games Steam, quem é fanático por jogos poderá se divertir muito mais e melhor do que antes em um MacBook Pro.

Bateria

Os MacBooks unibody já eram econômicos no quesito vida da bateria, com performances muito melhores do que a concorrência. Nos MBP i5, nada mudou. Na verdade, houve certa melhora, aumentando a autonomia do notebook. E isso é possível graças a avanços nos processadores da família Arrandele, que permitem desligar os núcleos completamente quando não estão em uso. Nos Core 2 Duo antigos, mesmo quando um dos núcleos estivesse sem nada para fazer (como quando estamos lendo uma página na web ou então escrevendo), ele gastava um mínimo de energia.

Outro fator que ajuda manter os novos MacBooks Pro mais tempo longe da tomada é que a bateria é um pouco maior do que a da geração anterior dos portáteis. Essa bateria ajuda a compensar o fato de que o processador i5 consome mais energia quando trabalha a todo o vapor, mas também é uma mão na roda preciosa no dia a dia.

As mudanças feitas dão resultados práticos. Em nossos testes, usando o notebook para tarefas básicas (navegar na internet, escrever textos e ouvir música) e sem forçar a luminosidade do monitor, conseguimos um resultado médio de 10% a mais de vida de bateria. Não tivemos tempo de fazer um teste mais prolongado e com um uso mais pesado do processador (como conversão de vídeo ou usando programas profissionais como Logic e Final Cut Pro), mas os sites especializados em Mac avisam que, nesses casos, o tempo necessário entre as recargas é pouca coisa menor – na verdade, é quase imperceptível.

Conclusão

Em poucas palavras, quem esperou para trocar de MacBook Pro, por exemplo, quem tinha um notebook de dois anos atrás, fará um excelente negócio quando comprar um MBP 2010 com chip i5. A performance do processador e da bateria compensa, e muito, a espera. Quem usa o MacBook para trabalhar, principalmente em viagens, não vai se decepcionar.

Já quem comprou a primeira linha de MacBooks unibody lançada no ano passado só deverá realmente trocar de laptop se precisar mais de melhor desempenho de processador do que bateria, uma vez que as diferenças entre os dois é muito pequena. Quem usa o notebook para um uso bastante tradicional e está satisfeito com o tempo entre recargas não precisará se precipitar e correr até a revenda autorizada mais próxima. Seu MacBook Pro, mesmo não sendo um i5, ainda dá um bom caldo.

Um novo MacBook
Modelo branco também ganha recauchutada

Aproveitando a leva de atualizações de sua linha de notebooks Pro, a Apple resolveu melhorar seu portátil mais vendido de todos os tempos, o MacBook branco. Como ele havia sido atualizado recentemente (em outubro de 2009), nenhuma modificação mais drástica foi apresentada, apenas as já esperadas atualizações de processador e espaço em disco e umas pequenas surpresinhas.

O MacBook 2010 agora tem um processador Core 2 Duo de 2,4 GHz, 2 GB de memória RAM, disco rígido de 250 GB e uma nova placa gráfica, a NVIDIA 320M (substituindo o modelo 9400M). O monitor, com resolução máxima de 1280×800 pixels, usa retroiluminação LED. De acordo com a Apple, a atualização no processador gráfico garante autonomia de até 10 horas de funcionamento com a bateria embutida (o MB 2009 podia ficar até 7 horas longe da tomada).

A surpresa ficou por conta do suporte a transmissão de áudio e vídeo pela Mini DisplayPort. A nova funcionalidade permite que o usuário use um único cabo (com o adaptador Mini DisplayPort para HDMI, vendido separadamente) para transmitir dados do computador para a televisão ou home theater. Os usuários precisam usa um adaptador VESA para que a transmissão seja feita em sua total capacidade.

Os novos MacBooks Pro e os iMacs já vêm com essa funcionalidade, e provavelmente todos os próximos modelos de computadores (até os mais baratos) devem trazer o mesmo padrão de portas e conectores.

Benchmais

O novo chip i5 do MacBook Pro é diferente do que equipa o iMac de 27, lançado no ano passado. Mesmo assim, resolvemos colocar os dois lado a lado para ver se as mudanças promovidas pela Intel eram de fato revolucionárias. O iMac foi melhor nos nossos testes, mas o MacBook Pro i5 chegou muito perto desta vez, um feito para portáteis, que geralmente ficam comendo poeira quando comparados com computadores de mesa. Enquanto isso, o Core 2 Duo do MacBook Pro de 13 se deu muito bem para algumas tarefas cotidianas, onde o processador não é tão importante.

Sérgio Miranda (@saam) consegue sobreviver sem um notebook, mas, de vez em quando, tem uma recaída.

*Matéria originalmente publicada na MAC+ 49.

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