A nova tendência das câmeras compactas são os controles de toque. A Kodak apresentou sua interpretação do conceito na forma de dois modelos, V1073 e V1273. A única diferença é que o V1073, testado por nós, tem um sensor de pouco mais de 10 megapixels (3648×2736 pixels) e o V1273 tem 12 megapixels (4000×3000 pixels). O restante é idêntico: zoom óptico de 3x, lente Schneider-Kreuznach Variogon equivalente a uma 37-111mm com abertura de f/3.1 (grande-angular) a f/5.7 (tele), ISO de 64 a 3.200 (podendo chegar a notáveis 8.000 no modo de 3 megapixels) e capacidade de gravar vídeos em 1920×720 pixels (HD) a 30 fps. O formato da memória é SD.
Quem teve a paciência para decifrar todos esses dados técnicos já percebeu que a Kodak tem características médias, não se destacando muito. O diferencial fica por conta do design bonito e da tela de toque. Por ser possível botar na tela de toque quase todos os comandos, os designers ficaram livres para limpar radicalmente o exterior da máquina, deixando apenas três botões físicos atrás, mais o diminuto controle de zoom com movimento vertical (a posição tele é para cima), botão de ligar no topo (iluminado internamente por um LED branco) e o disparador. O acabamento é todo preto fosco e nem mesmo o logo da Kodak se sobressai na frente: apenas a janela do flash e a objetiva. A única falha é que a tampa que dá acesso à bateria e à memória abre-se mais facilmente do que deveria.
A tela de toque coloca à vista somente os comandos que importam a cada momento, o que é conveniente para fotógrafos casuais. Sempre liga no modo Smart, que é totalmente automático e determina sozinho dados como balanço de branco, autofoco, sensibilidade ISO e até mesmo se deve trabalhar com a lente em modo normal ou em macro. Infelizmente, ela também sempre começa com o flash automático ativado e não suporta exposições mais longas do que 1/8s. Mas está perfeitamente na medida para evitar que uma pessoa desavisada e com pressa perca alguma oportunidade de foto. O modo Smart realmente consegue escolher as combinações de características mais adequadas (ou menos arriscadas) para fazer fotos de improviso. É bom notar, porém, que o modo contínuo (burst) é muito lento e não serve para quem tira muito proveito desse recurso.
A visualização tem um toque de iPhone – sem trocadilho! Você pode dar um peteleco com o dedo e fazer as fotos correrem horizontalmente pela telinha. Ao acionar o zoom para ver detalhes, basta encostar o dedo em uma ou em outra aresta da imagem para mover o campo de visualização. E o comando de apagar tem Undo!
No entanto, a tela tem uma aparência difusa e a imagem é bem difícil de enxergar sob sol forte. Esperamos que isso melhore em gerações futuras dessas câmeras com comando de toque.

Quanto à qualidade da imagem, está dentro do que se espera de uma compacta. Na maioria dos ISO temos cores saturadas, contraste forçado e remoção de ruído tão forte que borra as texturas. Nada que já não tenhamos visto antes, e inescapável em compactas. Mas sob a luz do dia, a câmera brilha: a nitidez da lente impressiona e o contraste vem na medida certa. Ela faz questão absoluta de nunca perder foto por erro de exposição. Ver as imagens na tela do computador é sempre uma boa surpresa.
Num gesto simpático da Kodak, a câmera já vem com um cartão de memória de 1 GB. A recarga é feita pelo cabo USB, simplificando o kit de acessórios. Para baixar as fotos, é necessário o software EasyShare (versão 6.1 para Mac OS X, 54 MB), que tem recursos de organização e edição. Apesar da restrição, o download é rapidíssimo e tranquilo, e o programa pode ser configurado para fazer o becape automático de suas fotos.
Prós
Elegante, funcional, leve e rápida; ótima lente.
Contras
Deveria poder memorizar ajustes como o do flash; tela de toque é pouco visível de dia; a imagem do LCD é ruim.
Preço
R$ 1.199 (Extra, Walmart, Submarino)
Mario Amaya sempre que mexe em uma Kodak, lembra com nostalgia da Instamatic “Xereta” de filme que o pai usava.





