Por Milton Pinho Majella
Comprei meu primeiro Mac quando lançaram o iMac 233, Bondi Blue, com uma estonteante memória de 32 GB que, imediatamente, na loja mesmo, foi complementada com um pente de 64 GB. Força total em um HD de, pasmem, 6 GB. Um espanto para a época.
Nunca tinha possuído um computador, e o máximo de contato com essas máquinas foi digitando (ou será dedilhando?) textos, no trabalho, primeiro em um tal de Word Star e, depois, em um aplicativo mais moderno chamado Office. Como tinha naqueles tempos, um secreto desejo, ainda não inteiramente realizado, de um dia saber fazer alguma coisa com fotos e sempre ter ouvido falar que esse lance de imagens era com Mac, assim que surgiu a oportunidade, Dólar a R$ 1 (ó, tempo bendito) e em 12 vezes sem juros, mais o estardalhaço do lançamento daquela coisa “muderna” chamada iMac, meti bronca. E nunca me arrependi.
Isso aconteceu em dezembro de 1999, mas quem, naqueles idos, sabia lá o que era um Mac? De repente, tive que me virar sozinho e, com um dicionário de inglês a tiracolo (até hoje, o idioma não é o meu forte), tentar ler aquele monte de manuais e “read me” e helps da vida. Passei a imprimir os textos de ajuda e manuais, para ler em papel com o dicionário no apoio. Coisa de louco.
A minha sorte é que mesmo antes de comprar o iMac, um amigo me emprestou algumas revistas em português sobre o assunto, das quais eu tirei cópias de alguns artigos e dicas principais sobre atalhos de teclado, Zap na PRAM, rebuild do desktop e coisas assim. Por ela fui apresentado à antiga lista MacBBs e então, finalmente, encontrei um monte de outros malucos que sabiam mais que eu e começaram a me ensinar.
Com o tempo, orientado a distância pelos amigos, troquei pessoalmente o HD de 6 GB por um Quantum Fireball de 20 GB, até hoje em pleno funcionamento, metido em uma gaveta externa USB 2.0. Aumentei também a capacidade de memória para o mínimo necessário, 128 GB, para poder instalar o então nascente Mac OS X e tasquei o 10.0 no iMac. Lento, de doer, mas lindo, novo, revolucionário. Mais tarde, consegui colocar dois pentes de 128 GB e fiquei, então, com o mínimo necessário para rodar o OS X com mais performance. Tempos de memórias caras. Um vivente precisava “vender a mãe” pra comprar um mísero pente de 128 GB. Consegui trocar também o processador por um fantástico G3 de 333 MHz.
Com o tempo, já passados cerca de quatro ou cinco anos, meu valoroso Bondi Blue foi derrotado pelas forças da natureza, morto pela maresia. Por sorte, na ocasião, foi lançado o Mac mini, aquele que qualquer mortal podia comprar, principalmente porque começou a ser vendido em 12 vezes sem juros. E lá fui eu de novo. Comprei o mini e um monitor LG de 17 polegadas, com placa para TV, tudo em suaves prestações. O teclado e o mouse bolinha foram herdados do iMac 233. Instalei tudo na mesa-estante-carrinho que desenhei, e cá estão até hoje. Mais tarde, consegui um teclado e um mouse Apple sem fio. Agora, em 2008, consegui satisfazer o grande desejo de ter um portátil Apple, o Macbook Pro de 17 polegadas, com tudo que se tem direito em matéria de processador, memória e HD.
Espero, de coração, que todos tenham a oportunidade de ter seus desejos realizados, mais cedo ou mais tarde. Eu esperei nove anos.
Milton Pinho Majella mora no Rio de Janeiro, tem dois Macs, uma família amorosa e amigos macmaníacos em todos os Estados do Brasil.
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