por Rainer Brockerhoff e Sérgio Miranda
A Apple decidiu não mudar radicalmente de gato desta vez, só de um “Leopard” genérico para um “Snow Leopard”. E, como o felino não é tão diferente assim, o preço de atualização foi bastante reduzido, dos US$ 149 normais, cobrados desde os primórdios, para apenas US$ 29 aos quem já têm um 10.5 instalado. Isso indica que a mudança foi mais evolucionária do que revolucionária. Realmente, pouca coisa mudou na parte visível ao usuário. Há, sim, centenas de pequenos detalhezinhos que vamos descobrindo pouco a pouco.
Entretanto, devido ao pouco tempo que tivemos para testar o novo sistema (o lançamento foi no dia 28 de agosto, apenas uma semana antes de a revista ir para a gráfica), programamos para as próximas edições mais matérias (especiais sobre o QuickTime X e Microsoft Exchange, por exemplo), com tudo que você precisa saber para domar essa nova fera.
De 300 a zero em um ano
Quando foi apresentado na WWDC de 2004, o Mac OS X 10.4, Tiger, tinha mais de 150 novas funções que desbancavam completamente a concorrência. Os mais antigos vão se lembrar dos gigantescos cartazes dizendo “Redmond, liguem as copiadoras”, já que o Windows Vista ainda estava em desenvolvimento. Um ano e meio depois, na divulgação do 10.5, Leopard, o número de funcionalidades novas dobrou, chegando a 300 (!), porém, uma grande parte era invisível para o usuário comum.
Pois a Apple resolveu radicalizar com o Snow Leopard. Quantas novidades o Mac OS X 10.6 terá? Nenhuma. É isso mesmo. Nada. Nada de firulas e novas interfaces. O Snow Leopard será conhecido por ser o refinamento do antigo Leopard. Bem, na verdade, há uma funcionalidade que não havia nas versões anteriores do sistema, suporte ao Microsoft Exchange. Bom, um é melhor do que zero, certo?
Então, não vale a pena atualizar, afinal, não há nada novo no Mac OS X? Não é bem assim. Existem diferenças entre os dois felinos, que vão muito além das manchas e das cores da pele. Internamente, o sistema está muito mais rápido, e isso significa uma melhora na performance do Mac como um todo. Com as entranhas modificadas, os desenvolvedores de software vão poder otimizar seus aplicativos, que rodarão muito melhor no Snow Leopard. Por isso, se você tem um Mac Intel, não há motivos para não saltar para o 10.6.
A olho nu
É claro que não se pode acreditar que a Apple não traria algumas novidades bacanas para o Snow Leopard. E na instalação do novo sistema, já se observam as primeiras mudanças.

Logo de cara, ao clicar duas vezes no ícone do instalador, não somos convidados a reiniciar o Mac para começar o processo. Agora, boa parte do tempo necessário é feita sem iniciar o computador pelo drive óptico. Isso significa muito mais velocidade e performance na instalação, o que levou a Apple a afirmar que o processo seria 45% mais rápido. Usando a versão enviada para os desenvolvedores, notou-se que realmente foi mais rápido: do início ao fim, foram necessários 30 minutos para ter o Snow Leopard rodando. Com o Leopard, o tempo gasto foi de 50 minutos. Nada mal.
Outra modificação é a possibilidade de evitar a instalação do ambiente Rosetta, criado para dar compatibilidade a programas não nativos para os processadores Intel. Ficamos fortemente tentados a deixar a opção desmarcada, afinal, o Snow Leopard só pode ser usado nos Macs mais novos, mas essa não é a melhor saída se você depende muito dos aplicativos da suíte Office 2008, da Microsoft. Apesar de ser Binário Universal, isto é, rodar nativamente nos Macs Intel, não instalar o ambiente Rosetta significa não conseguir utilizar os aplicativos do pacote ou mesmo tentar abrir um arquivo .DOC, por exemplo, usando outros programas, como o Nisus (no Editor de Texto, o arquivo abre). Se você tiver deixado o Rosetta de fora, será obrigado a fazer a instalação posteriormente (via Atualização de Software). Ou então, mudar de formato de arquivo.
Quando entramos pela primeira vez no Snow Leopard, temos uma grata surpresa: mais espaço em disco. Não, seu HD não aumentou de tamanho, na verdade, a Apple resolveu trocar o método de contagem dos bytes, deixando de lado o sistema de base dois pelo de base dez. Isso quer dizer que agora 1 GB tem 1 milhão de bytes, e não mais 1.024.000. Além disso, o sistema está 7 GB menor. Isso significa uma economia de até 25 GB disponíveis.

Com ou sem Rosetta?
O Snow Leopard só pode ser instalado em Macs Intel. Então, é possível ficar sem o ambiente Rosetta? Se você usa o Office, não.
O visual geral do Finder no Snow Leopard é muito parecido com o da sua versão anterior, mas é apenas uma impressão. O Finder, mais antigo aplicativo do Mac OS ainda em atividade, foi reescrito para rodar mais eficientemente no Snow Leopard. E ganhou algumas mudanças cosméticas. Agora, no modo de visualização por ícones, você pode ver os ícones do conteúdo de pastas no tamanho máximo, 512 pixels, usando um pequeno controle deslizante na janela. Ver um PDF ou um texto com o ícone gigantesco dá outro significado a este modo de visualização.
Além disso, há efeitos para praticamente todas as ações, como mover, copiar e até ejetar um disco externo, graças ao Core Animation, que se espalhou pelas entranhas do sistema quase que completamente. Outra funcionalidade bacana, principalmente para quem adora o modo de visualização por colunas (e quem não gosta?), é a de ordenar as pastas e arquivos, igualzinho no modo por lista ou por ícones. E, finalmente, quando um disco não pode ser ejetado porque “algum aplicativo” o está usando, a janela de erro mostra quem é o culpado pelo problema. Demorou, mas finalmente acabou a adivinhação para saber quem estava atrapalhando tudo.
Outra coisa que se pode notar é como os aplicativos nativos do sistema ficaram mais rápidos. O sistema de indexação de arquivos do Spotlight, por exemplo, está cerca de 25% mais rápido. Abrir mensagens em HTML no Mail, por exemplo, também melhorou bastante. No geral, todos os programas originais estão mais rápidos para abrir e realizar ações. Depois de um tempo de uso, porém, você acaba se acostumando.


Novo Dock
Dos aplicativos tradicionais do Mac OS X, o Dock foi o que ganhou uma boa renovada no visual. Agora, todos os menus contextuais tem o mesmo visual transparente das Pilhas, que agora possui barra de rolagem e também navegação por dentro de pastas, além de ser possível usar o teclado para ir mais rápido até aquele arquivo ou aplicativo que fica escondido no final da lista4
O Dock também passou por uma recauchutada, ganhando um menu contextual mais bonito e inteligente. Nas Pilhas, por exemplo, é possível navegar por pastas e usar o teclado para digitar o nome de arquivos ou aplicativos, igual no Finder. Além disso, o Dock Exposé é uma mão na roda para quem gosta de ter vários programas com muitas janelas ao mesmo tempo. Isso porque agora, os aplicativos que estão rodando ficam destacados no Dock, mesmo aqueles que têm janelas escondidas. Até mesmo o Exposé foi repaginado, ficando muito mais organizado na tela, em vez daquele monte de janelas de tamanhos diferentes espalhados por todo o monitor.
Boas mudanças, mas nada muito radical. Onde a coisa toda muda de figura é quando olhamos dentro do Snow Leopard.
32 vs. 64 bits
Os usuários mais antigos se lembram de que no milênio passado houve a transição de 16 para 32 bits. Causou um certo rancor e ranger de dentes, mas passou. A transição de 32 para 64 bits é similar. Simplificando, refere-se a dois recursos da CPU: a representação de dados numéricos e a capacidade de endereçamento de memória. O primeiro recurso é bem transparente: tratar números de 64 (ou até mais) bits sempre foi possível ao programador, mesmo se a CPU não pudesse fazê-lo diretamente. Uma CPU de 64 bits só tem maior velocidade para isso.
A capacidade de endereçamento é importante. Aplicativos rodam dentro de um “espaço de memória virtual”, que em 32 bits é limitado a 4 GB. Quem trata de arquivos maiores – um exemplo seria o Photoshop – tem que fazer isso por partes, e ficar lendo e gravando partes no HD. Em contraste, um processo de 64 bits consegue endereçar, em tese, 16 exabytes – duas a três vezes o volume total de dados que trafegou pela internet em dezembro de 2008. Na prática, os limites do hardware são muito menores; o maior Mac no mercado, hoje, suporta “apenas” 32 GB de RAM instalados.
As CPUs modernas da Intel, internamente, funcionam em dois modos: 32 e 64 bits. O modo 32 é compatível com as CPUs antigas, remontando ao chip 80386 de 1985; o modo 64 tem recursos muito mais extensos, além de dobrar a largura de dados e endereços. Um processo executável no Mac OS X tem que se restringir a um desses modos; em outras palavras, um aplicativo de 64 bits só pode usar frameworks e plug-ins de 64 bits.
O Mac OS X vem se aproximando da 64-bititude gradualmente. O 10.4 já permitia rodar processos de 64 bits sem interface gráfica. O 10.5 tinha pleno suporte a aplicativos gráficos de 64 bits, mas o padrão era 32, e pouquíssimos aplicativos foram atualizados. Já no 10.6 o padrão é 64 bits; quase todos os aplicativos da Apple usam este modo.
Por que isso é importante para o usuário? No 10.5 todos os frameworks do sistema eram, internamente, quadruplicados, com código executável de 32 e 64 bits, PowerPC e Intel. Caindo o suporte para PowerPC, o espaço ocupado é reduzido para a metade. No 10.5, o sistema-base rodava em 32 bits; os frameworks deste modo já estavam carregados na memória (virtual) quando entrava um aplicativo de 32 bits, minimizando assim o tempo do ícone pular no Dock. Quando o usuário entrava em um (raro) aplicativo de 64 bits pela primeira vez, todos os frameworks de 64 bits entravam também, ocasionando um retardo sensível, e dobrando o espaço em HD usado pela memória virtual. No Snow Leopard, a situação é inversa: agora o primeiro aplicativo de 32 bits é penalizado. Quando a transição para 64 bits for completa, isso será mais perceptível.
Em si, há diferença de velocidade entre as versões 32 e 64 bits do mesmo aplicativo? Não necessariamente. Se o aplicativo usar muitos dados de 64 bits, fica mais rápido, claro; por outro lado, isso dobra o tamanho dos dados lidos e gravados em HD (incluindo a memória virtual), o que é mais lento. Mesmo que o aplicativo possa usar arquivos maiores que 4 GB com facilidade, isto pode ser contraproducente se não houver bastante RAM instalada.

32 ou 64 bits, eis a questão?
Quem mais sofreu com a transição do 10.5 para o 10.6 foram os plug-ins de terceiros. Eles não são incompatíveis, mas é preciso abrir uma versão 32 bits do Preferências do Sistema. Ainda bem que os desenvolvedores já começaram a atualizar seus programas.
Uma vantagem do modo 64 bits só é diretamente visível aos desenvolvedores. A Apple aproveitou a mudança para modernizar diversas APIs do sistema, incluindo a própria estrutura interna do Objective-C (e, consequentemente, do Cocoa). Para o usuário, esta modernização traz uma pequena melhoria de desempenho e maior confiabilidade. De quebra, a modernização trouxe maior proteção contra erros de programação ou ataques de vírus.
Uma questão que não vem sendo bem entendida é a do suporte deste ou daquele Mac ao modo 64 bits. Genericamente, os primeiros Macs Intel – com CPU Core Solo ou Core Duo – não têm o suporte a 64 bits, mas podem rodar o Snow Leopard integralmente no modo 32 bits. Todos os modelos subsequentes, com Core 2 Duo ou os Xeons usados nos servidores e Mac Pros, têm suporte de 64 bits. Com um porém.
Este porém se refere ao “kernel” do Mac OS X: a parte do sistema que coordena os diversos processos. Antes do 10.6, o kernel rodava em modo 32 bits. Se a CPU tem suporte a 64 bits, no 10.6, o kernel pode ser de 32 ou 64 bits, e os aplicativos podem rodar em 32 ou 64 bits; as duas condições são independentes. Ou seja, todos os Macs recentes rodam aplicativos em 64 bits.
Por que, então, vemos afirmativas que a Apple está prejudicando a maioria dos usuários, restringindo-os a 32 bits mesmo no Snow Leopard? Isto se refere apenas ao kernel. O fato do kernel rodar em 32 bits, na prática, faz pouquíssima diferença, e não restringe os aplicativos. Para rodar o kernel em 64 bits, o firmware daquele Mac tem que estar preparado para isso; nada impede que a Apple atualize o firmware dos modelos hoje restritos.
A vantagem de rodar o kernel em 64 bits é sutil. Primeiro, permite a instalação de mais de 32 GB de RAM – mas nenhum modelo, hoje, tem suporte de hardware para isso. Segundo, alguns procedimentos internos ficam um pouco mais rápidos, desde que a RAM instalada seja razoavelmente grande.
Mas o kernel 64 tem, também, desvantagens. A principal é que ele também usa plug-ins conhecidos por kexts (“kernel extensions”), e todos estes devem ser convertidos para 64 bits. Isso afeta não somente o suporte a certos periféricos, como também softwares como o Parallels e VMware Fusion, que instalam seus próprios kexts. Sem dúvida a situação será resolvida nos próximos meses, mas por enquanto o kernel de 32 bits é mais compatível.
Manchas diferentes

Ícones gigantes de uma música e PDF no Finder. Nem precisa abrir o aplicativo!
De acordo com uma estimativa da Apple, 90% dos arquivos-fonte do Snow Leopard foram afetados pelas mudanças, o que certamente é um recorde. Mesmo descontando, digamos, 15 ou 20% em aplicativos, 70% das mudanças são nos “frameworks” do sistema. Por que isso tudo? A culpa é do Grand Central Dispatch (GCD), principalmente.
Em torno de 1995, havia um clone de Mac – um Genesis MP 528 que tinha 4 CPUs PowerPC. Na época, a Apple não tinha sistemas com mais de uma CPU, nem o System 7.5 tinha suporte embutido para isso. Assim, o único aplicativo que conseguia usar as 4 CPUs era o Photoshop – e mesmo assim só nos filtros. Era frustrante ter 4 CPUs e usar apenas uma!
O Mac OS X, felizmente, se adapta a qualquer número de CPUs ou cores, distribuindo-os entre aplicativos. Mesmo assim, o programador que quisesse usar mais de um core em um mesmo aplicativo deveria tomar providências complexas: dividir seu programa em “threads” de execução, e distribuir dados entre estes. Não era fácil escrever um software que rodava confortavelmente em um Core Solo, de apenas um core, e em um Mac Pro de 16 cores virtuais. E se depois o usuário resolvesse rodar vários aplicativos assim ao mesmo tempo?

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Exposé organizado
Quem usa sabe como é bom. E agora ficou ainda melhor, com as janelas mais organizadas e mostrando as que estavam escondidas, na parte de baixo
O Grand Central Dispatch mudou isso tudo. Ele permite, em um nível muito básico do sistema, designar pequenos blocos de código que podem ser executados em paralelo se houver hardware disponível para tal. O sistema enfileira esses pedidos de execução e os distribui, automaticamente, entre os diversos cores disponíveis e ociosos, evitando, inclusive, a competição excessiva entre aplicativos. Ainda melhor, esses blocos do GCD são vistos como objetos pelo Cocoa, o que facilita muito sua adoção.
Como o GCD está disponível para qualquer processo, mesmo os do próprio sistema, a Apple resolveu recodificar os 70% dos frameworks que mencionamos para aproveitar esse recurso. Assim, mesmo que um aplicativo não use o GCD explicitamente, as funções do sistema podem fazê-lo. Em contraste à situação com meu velho Genesis, qualquer aplicativo, ao ser instalado num sistema futuro com 16, 32 ou mais núcleos, pode rodar mais rapidamente, sem muito esforço adicional do programador.
Claro que essa situação melhora ainda mais se o próprio aplicativo usa esses recursos. O OpenCL no 10.6 é um framework similar, embora mais especializado: os blocos de código são escritos em linguagem C simplificada, e tem recursos especiais para processar dados similares em paralelo. Outra distinção é que esses blocos podem ser distribuídos indiferentemente para os cores das CPUs ou para as GPUs da placa de vídeo. Portanto, o OpenCL é mais dirigido ao processamento de áudio, vídeo, ou maiores massas de dados; por exemplo, vi uma simulação de centenas de milhares de objetos do sistema solar que, em um Mac Pro topo de linha, pode ser acelerada em mais de cem vezes pelo uso do OpenCL.
Na prática tudo isso significa que o Snow Leopard tem acelerações razoáveis em diversos pontos. Por exemplo, abrir várias imagens ao mesmo tempo no Preview é significativamente mais rápido; rodar um vídeo HD consome menos tempo de CPU; e assim por diante.

Teclado de PC
No Brasil, a Apple não vende uma versão ABNT2 dos seus teclados (aquele com a tecla [Ç]). Durante anos, foi necessário instalar o layout de teclado US International, criado por Rainer Brockerhoff. No Snow Leopard, isso não é mais necessário, já que o layout foi incorporado ao sistema, ganhando o sobrenome “PC”.
Quem será o próximo?
O quê? Mal saiu o 10.6 e já perguntam pelo 10.7! Cadê a bola de cristal?
Certamente não será uma variedade de Leopardo. Mas o palpite é que não veremos o novo bichano antes de 2012. Provavelmente não haverá mais suporte ao modo 32 bits. Possivelmente reduzirá ainda mais o espaço em disco. Os executáveis serão compilados diretamente para o bytecode LLVM e traduzidos “just-in-time”, permitindo à Apple mudar de CPU quando quiser. E, claro, o GCD permitirá rodar tudo ainda melhor em Macs com 32 ou mais cores.
Mas isso é assunto para mais tarde. Agora, é hora de aproveitar o Snow Leopard.

Instalação a jato
Como não precisa mais reiniciar o Mac logo de cara, o processo de instalação do Snow Leopard chega a ser 30% mais rápido do que o das versões anteriores. Tudo bem que a Apple prometeu que seria 45% mais veloz, mas já melhorou bastante, ainda mais quando comparado com a concorrência…

QuickTime remodelado
Muito além de ser um aplicativo, a tecnologia multímidia QuickTime foi completamente redesenhada no Snow Leopard. Para o usuário, porém, a parte visível dessa mudança ficou apenas no novo visual do QT Player. Ele perdeu as abas cinzas nas janelas e também os controles de reprodução, adiantar e retroceder, ficando parecido com o Visualização Rápida. A parte chata é que todos os controles ficam flutando sobre o vídeo (eles podem ser movidos, porém, apenas dentro da janela do QuickTime), impedindo a visualização da cena. É claro que eles somem rapidamente, mas aparecem cada pausa e recomeço, isso acaba atrapalhando. Para quem preferir (ou precisar), é possível trazer de volta o velho QuickTime 7, que pode ser instalado separadamente, junto com a nova versão do Mac OS X.

Edição de vídeo

Além de mais bonito, agora é possível cortar vídeo com o QuickTime X. E de graça! Acabou a era da versão Pro, que custava US$ 30 e só podia ser comprada na Apple Store Online. A opção de gravar áudio e vídeo da tela agradou quem gosta de fazer videopodcasts.
Compatível, eu?

Alguns dias antes do Snow Leopard finalmente ser comercializado, começou a corrida dos desenvolvedores para atualizar seus aplicativos para o novo Mac OS X. Apesar da maioria dos programas funcionarem sem problemas, alguns softwares que usam muitos recursos do sistema não conseguiram ficar prontos a tempo. Por conta disso, alguns usuários resolveram criar uma lista de compatibilidade de software, que está disponível aqui.
A Apple também divulgou sua lista de aplicativos problemáticos em seu site oficial. O destaque fica para versões antigas dos programas virtualizadores, que apresentam problemas no 10.6, como Parallels e VMWare. Mesmo as versões mais atuais também são instáveis. Os desenvolvedores já prometeram lançar atualizações para breve.
Porque jogar fora o PowerPC é a única solução para o futuro da Apple

Agora é oficial: Os Macs com processadores PowerPC ficaram fora dos requisitos mínimos para instalação do Snow Leopard. Há, claro, os motivos históricos para esta decisão – a Apple mudou toda a sua linha de computadores para os chips Intel desde 2006 – mas alguns acham que é apenas um truque para convencer os usuários antigos a trocar de aparelho. Não é bem assim.
Conforme vimos em edições anteriores da MAC+, três grande recursos do 10.6 são: a migração para 64 bits; a consequente modernização das APIs; e a otimização para múltiplos cores e GPUs (Grand Central Dispatch e OpenCL). Infelizmente, pouquíssimos PowerPC Macs poderiam se aproveitar desses recursos.
Apenas a CPU G5 tem recursos de 64 bits, e apenas alguns Macs (os PowerMac G5 dual e quad) têm mais de uma CPU ou núcleo. A base instalada desses dois modelos representa, pelo que foi divulgado na WWDC, menos de 0,5%; provavelmente bem menos. Não compensa, para a Apple, investir tempo precioso para portar todos os novos recursos também para o velho G5. É bom lembrar que isso inclui tempo de testes, além de perder parte do espaço economizado no Snow Leopard incluindo versões Binário Universal dos aplicativos. Por último, nenhum G5 tinha placa de vídeo que suportasse OpenCL. Não acreditamos que a Apple tenha, inicialmente, feito testes com um sistema destes; nosso palpite é que os benchmarks destas máquinas teriam sido ruins demais para publicação.
Rainer Brockerhoff está aliviado de finalmente poder falar do Snow Leopard. Sérgio Miranda agradece à Apple Brasil o empréstimo de um MacBook com o Mac OS X 10.6 instalado em tempo recorde.
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