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Esquadrão Mac, o retorno

escrito por Marco Andrei Kichalowsky em 22 de junho de 2009

por Marco Andrei Kichalowsky; fotos por Hans Georg

Era mais um dia de marasmo. Sentíamos o sopro do vento batendo na janela como se fosse em nossas próprias orelhas e, apesar de estar abafado no escritório, a preguiça geral impedia que alguém se levantasse para abrir o vidro e espantar o calor daquela tarde de outono. Foi quando o telefone tocou…

— Esquadrão Mac! Por favor, me ajudem!

Era Isabelle Decarie, canadense radicada em São Paulo, tradutora, escritora e especialista nas palavras francesas. Era uma situação complexa. Era um problema estranho. Era um trabalho que somente o Esquadrão Mac poderia resolver!

Problema

Depois da instalação de uma versão antiga do Microsoft Office, porque precisava do PowerPoint, Isabelle percebeu que seu Mac começou a travar e que diversos aplicativos pararam de funcionar. Com trabalhos e mais trabalhos enchendo sua caixa postal, além de todos os outros que já estavam na fila, ela precisava urgentemente que os aplicativos (incluindo o Word) voltassem a funcionar. Além disso, ela candidamente queria que seu MacBook se lembrasse de como ele era rápido e esperto quando ela o encontrou pela primeira vez.

Diante das circunstâncias, não tivemos outra reação senão a de sair correndo para prestar socorro imediato!

No local

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Ao chegarmos, pedimos a Isabelle um relato completo da situação. Ela nos contou, então, sua linda história de amor com os Macs, que incluía relacionamentos com outros dois portáteis, um PowerBook G3 modelo “Wallstreet” e um iBook G3 de 14 polegadas, dos quais só tinha boas lembranças. Finalmente, exultou a velocidade e presteza de seu novo MacBook branquinho até chegar à parte em que lamentou a transformação dele em uma tartaruga.

Detalhando a situação, ela nos alertou de que havia dois eventos relevantes na linha do tempo de seus problemas. Primeiro, um fato que poderia ter deixado sequelas no Mac: ele havia caído no chão e, na queda, desligou sozinho. Mas, segundo ela, o portátil havia aguentado o tranco. Juntou o notebook e, quando o ligou, aparentemente estava tudo certo: os arquivos importantes não estavam corrompidos e, fora alguns arranhões, as peças do MacBook não deram sinal de danos, principalmente o disco rígido, a peça mais sensível às quedas. Isso serviu para provar que o Sensor de Movimento dos MacBooks funciona perfeitamente.

O segundo evento era, para ela, o aparente motivo de todos os seus problemas: ela instalara o Office v. X, a primeira versão do software da Microsoft para o Mac OS X, lá em 2001, pois precisava do PowerPoint para criar uma apresentação. O Word, software que ela usa com frequência, já estava trabalhando desde os primórdios e nunca tinha sido um problema.

Para colaborar com a situação, seu marido (pecezista) ainda havia feito “algumas coisas”, como o velho e bom truque de jogar as preferências fora. Brincadeiras à parte, alguns dos softwares voltaram a funcionar, mas outros, como o Photo Booth, teimavam em travar ou fechar inesperadamente. Completando o quadro da dor na moldura do desespero, o MacBook ainda estava lentíssimo!

Primeiros socorros

A partir do relato da Isabelle, investimos sobre o MacBook, que estava, de fato, mais lento do que uma lesma manca. Esta vagareza, somada aos outros sintomas de aplicativos travando ou até mesmo fechando antes de iniciar, é causada por problemas nas permissões dos arquivos, na maioria das vezes. Sendo assim, decidimos, primeiramente fazer o exame e um possível reparo nessas permissões. Para isso, contamos com a ajuda do Utilitário de Disco, que acompanha o instalador do Mac OS X. O processo foi simples, apesar de um pouco demorado.

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Inserimos o disco de instalação do Mac OS X em seu drive óptico.

Reiniciamos o Mac, mantendo a tecla [C] pressionada para que o sistema fosse carregado a partir do CD/DVD que estava no drive.

Mantivemos a tecla C pressionada até que o “reloginho” aparecesse abaixo da maçã da Apple. Ele indica que o sistema já começou a carregar.

Seguimos os passos do instalador até que a opção “Utilitários” aparecesse na barra de menus, em cima. A partir desse menu, rodamos o Utilitário de Disco.

Dentro do Utilitário de Disco, escolhemos, à esquerda, o ícone de seu HD, e, à direita, apertamos o botão Reparar Permissões do Disco.

Aguardamos o final do processo e depois reiniciamos o Mac.

Infelizmente, a correção não surtiu efeito. Após reiniciarmos o Mac, notamos que ele continuava lento e o software símbolo dos problemas, o Photo Booth, também não dava sinais de vida. A causa não era alguma permissão corrompida, teríamos de nos aprofundar mais e mais nas entranhas do MacBook em busca de outras possibilidades.

Ao nosso lado, Isabelle pensava: será que meu querido branquinho terá salvação? Com muita calma, sacamos nossa próxima arma secreta…

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Segunda avaliação

Apesar de já ter sido testado pela usuária até com algum certo sucesso, mas sem recuperar o HD completamente, optamos por um procedimento que já havia sido executado: organizar e recriar as preferências dos programas. Depois das permissões, a origem mais comum de problemas com programas é o corrompimento desses arquivos, que estão encerrados em arquivos .PLIST. Os sintomas eram muito claros e indicavam esta possibilidade: softwares não iniciando, lentidão e a famigerada bola colorida da morte, que aparecia sempre que tentávamos abrir algum programa do Office. Usando o Photo Booth e o próprio Word  como exemplo, tentamos começar a recuperação por estes softwares.

Nas pastas Macintosh HD/Biblioteca/Preferences ou Macintosh HD/Usuários/<usuário>/Biblioteca/Preferences, procuramos os arquivos de preferência dos aplicativos, que tinham a extensão .plist.

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O nome do arquivo de preferências geralmente é composto do nome do desenvolvedor seguido do nome da aplicação, mas, no caso dos aplicativos da Microsoft, algumas preferências estão acondicionadas em pastas especiais, com o nome “Microsoft” alguma coisa. Vasculhamos o disco rígido em busca de todas as preferências que poderiam dar problemas e movemos os arquivos para a Mesa.

Reiniciamos o Word e… Excelente! O aplicativo estava, aparentemente, funcionando bem.

Mas nossa alegria durou pouco. Logo a bola colorida da morte e a lentidão nos processos voltaram a aparecer. No teste do Photo Booth, o programa sequer iniciou. A essa altura do campeonato, já pensávamos que o problema estava nos arquivos dos aplicativos, bem como do sistema, que poderiam estar corrompidos. Mas ainda tínhamos uma outra tentativa antes de aplicar a arma de maior calibre.

No três…

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Tudo apontava para uma reinstalação do sistema e dos aplicativos quando lançamos mão de um último recurso: criamos um segundo usuário. A partir desta conta, poderíamos testar os programas que estavam com problema e isolar a origem dos dissabores dentro do ambiente do usuário. Se o problema persistisse, teríamos certeza de que ele envolveria todo o sistema e a saída seria mesmo reinstalar o Mac OS X.

Nas Preferências do Sistema, selecionamos o painel Contas.

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Apertando o botão [+], na parte inferior da coluna da esquerda, o sistema cria um novo usuário. Escolhemos um nome e marcamos a opção Permitir ao usuário administrar este computador clicamos em.

Encerramos a sessão do usuário atual e reiniciamos pelo novo usuário.

Infelizmente o problema persistia, e novamente o Photo Booth não rodou. Era hora de dar um tiro de canhão de saúde tecnológica no pobre MacBook.

Começar de novo

Cumprimos as diversas etapas antes de dar o tiro de misericórdia no Mac. Infelizmente, nenhum dos procedimentos salva-vidas havia surtido efeito. Certos de que somente algo mais pesado traria seu portátil à vida normal, avisamos a usuária: “vamos reinstalar o sistema”!

Diante dessa declaração, Isabelle ficou apreensiva e começou a dar sinais de pânico:

— Mas eu vou perder todos os meus arquivos?

Explicamos que o Mac OS X tem um modo de instalação que preserva os documentos e as configurações do usuário, sem perdas. Uma reinstalação recuperaria todos os arquivos do sistema e só seria necessário reaplicar as atualizações que, por ventura, tivessem sido publicadas depois da versão que estava no DVD. Restava uma dúvida: eles tinham um becape?

— Sim! Está aqui, no disco externo!

Plugamos o HD externo e examinamos os arquivos. Apesar da Isabelle ter feito becape apenas de seus arquivos pessoais (o melhor seria ter feito o becape da pasta de usuário completa), nos demos por satisfeitos. Poderíamos reconstituir qualquer outro arquivo ou configurações, com mínimas perdas.

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Munidos do DVD de instalação do sistema, partimos para a reinstalação.

Inserimos o disco de instalação do Mac OS X no drive óptico do MacBook e reiniciamos o Mac, segurando a tecla C pressionada (o sistema deve ser carregado a partir do DVD).

Quando o instalador carregou, ainda fizemos um último exame do HD com o Utilitário de Disco. Mais uma vez, o utilitário avisou que estava tudo certo. Prosseguimos com a instalação.

Ao aparecer a janela para escolher o lugar da instalação, selecionamos o HD do MacBook e pressionamos [Opções].

Selecionamos a opção “Arquivar e instalar” e pedimos para que o instalador preservasse as contas de usuário.

Iniciamos a instalação e aguardamos o final do processo.

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Quando o Mac reiniciou a expectativa era imensa. Teríamos uma resposta positiva? O reloginho girava e a ansiedade crescia.

Quase lá…

O sistema finalmente iniciou e pediu o login e senha, já que havíamos criado mais um usuário e, com isso, desligamos o início de sessão automático. Foi aí que Isabelle notou que não lembrava sua senha.

Já que não podíamos entrar na conta original, utilizamos nossa conta de testes.. Mas antes disso, depois de iniciar a sessão, aproveitamos e testamos os aplicativos. Sucesso! Tudo estava certo, inclusive o pacote Office e o Photo Booth, nosso software de teste. Aparentemente, os sintomas eram decorrentes mesmo de algum problema nos arquivos do próprio sistema. Ao menos isso estava resolvido!

Mas e a senha da Isabelle? Como havíamos dado direito de administrador ao usuário de teste, conseguimos entrar no painel Contas das Preferências do Sistema. No painel, trocamos a senha da Isabelle e colocamos uma que fosse de fácil lembrança. Com isso, pudemos iniciar uma sessão no antigo usuário.

Office antigo, problema antigo

Entrando na conta da Isabelle, verificamos que não apenas o MacBook estava bem ágil, como também os documentos e configurações estavam todos no lugar, sem problemas.

Nós também estávamos satisfeitos com o resultado. A cliente poderia trabalhar tranquilamente, sem sobressaltos. Mas um último teste ainda restava: abrir seus documentos no Word. A usuária havia alertado sobre alguns comportamentos estranhos, como quando ela abriu arquivos antigos e eles estavam em branco.

Testamos exatamente isso e o sintoma reapareceu. Apesar de desconfiar da idade do Word – o pacote Office v. X foi lançado em 2001 –, a antiguidade não deveria ser o problema. Por quê? No caso do Word, há outras possibilidades. O software guarda configurações-padrão de tipos de letra, formatações e outros ajustes em um modelo (template) chamado “Normal.dot”. Provavelmente era este documento a origem dos sintomas.

Fizemos uma busca no HD pelos modelos Normal do Word na pasta do usuário e na pasta do aplicativo e os separamos na Mesa. Reiniciamos o Word e abrimos novamente os arquivos problemáticos. O defeito persistiu. Qual o próximo passo? Algum outro arquivo do Word deveria estar defeituoso, forçando uma formatação errada. Como era muito difícil descobrir o culpado, apelamos novamente para o tiro de canhão: reinstalar todo o Office.

No caso do pacote da Microsoft, é importante desinstalar o software antes de fazer uma nova instalação. Durante esse processo, deve-se prestar atenção em um detalhe: ao pedir para remover o software, verifique se a opção de apagar os documentos do usuário está desmarcada. Ainda não entendemos por que a Microsoft criou essa possibilidade esdrúxula, mas ela merece toda a nossa atenção.

Depois de remover o Office, seguimos os passos do próprio software para uma nova instalação. Como a usuária pediu para deixarmos somente o Word, fizemos uma instalação personalizada, escolhendo só o processador de textos e os dicionários que ela usava.

Nosso diagnóstico estava certo! Após a reinstalação, o programa voltou a se comportar de maneira normal, abrindo os documentos antigos corretamente. Saímos da casa de Isabelle com o sentimento de dever cumprido. Só faltava terminar o relatório da missão… quer dizer, a matéria para mais uma edição da MAC+.

Marco Andrei Kichalowsky teimou com o editor Sérgio Miranda, afirmando que não seria preciso reinstalar o Office. Acabou descobrindo que nunca se deve contrariar um editor. Colaboraram: Sérgio Miranda e Heinar Maracy.

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Marco Andrei Kichalowsky é colaborador da revista Mac+ de longa data. Informata de formação, é especialista na plataforma Apple, com a qual trabalha desde 1993. Foi presidente do Brasil Apple Clube, clube de usuários Apple mais antigo do Brasil ainda em atividade. Atualmente trabalha como articulista e consultor Apple free-lancer.

Comentada 6 vezes » Feed RSS dos comentários deste post URL de TrackBack

  1. farley rangel

    4 de julho de 2009 @ 22:07


    Queria saber que estranho problema é esse das permissões em meu MacBook4.1 White 13.3′ Leopard 10.5.7 que mesmo rodando o Utilitário de Disco para reparar as permissões, não consegue acertar o problema, que verificando uma segunda vez, mostra ainda estar lá: lrw onde deveriam ser -rw. Sabem o que há com as permissões com “L”? Nem conheço tal parâmetro.

    atenciosamente,

    Farley Rangel
    http://www.farley.com.br

  2. Akira

    8 de julho de 2009 @ 0:32


    Não seria a primeira opção ter desinstalado o pacote office e instalado novamente antes de zerar o OS????

    É o que eu faria …. hehee
    []’s

  3. Dinho Martinelli

    9 de julho de 2009 @ 13:38


    Ahahaha….adorei!!!

    Vcs são fucks!!!

    Show!

    Vai ver se o pessoal de PC faz de um problema um evento como esse!!!

    Abs!

  4. Rockman

    10 de julho de 2009 @ 0:05


    o OS estava defeitusoso por isso foi necessario resinstalar antes o Macintosh, se bem que fatlou resolver o problema do power point.

    Mas poderia icentiver ela usa o iwork ou atualizar a suite office.

  5. QUADRA700

    13 de julho de 2009 @ 12:09


    Belo trabalho

  6. Daniel Alves

    18 de julho de 2009 @ 20:12


    Ótima matéria. Fique com dó do Mac dela pois tenho um igual.

    Pabénz


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