As memórias esquecidas
Uma pessoa neófita na computação tende a confundir os três principais tipos de memória. Todo computador possui memória DRAM (memória dinâmica de acesso randômico), onde residem os dados processados pela máquina enquanto ela está funcionando, em uma operação de intercâmbio constante com o processador. O disco rígido (HD), dispositivo eletromecânico que retém os dados de maneira persistente em mídia magnética, é onde ficam gravadas as informações e programas o tempo todo, inclusive quando o computador está desligado. O HD também é um tipo de memória, mas normalmente só a DRAM é chamada de memória (vulgarmente “memória RAM”), para evitar confusão.
Ainda assim, quando seu computador está lotado de tarefas e você começa a senti-lo lerdo e o HD faz os ruídos característicos com muita insistência, é certo que o Mac está usando um pouco do espaço no HD como extensão da memória RAM para descongestioná-la. Essa estratégia, chamada de memória virtual, serve para evitar que seu computador trave, mas o deixa lento porque um HD é tipicamente cerca de cem vezes mais lento que a memória RAM para gravar e ler dados. Por sua vez, a memória RAM só retém dados enquanto o computador está ligado, tornando o HD indispensável para armazená-los entre uma sessão e a outra.
A memória Flash, usada em cartões de memória para câmeras, celulares e nos pen drives, é um tipo de memória que não “esquece” nada quando desligada, como o HD; sua velocidade pode ser superior à do HD, sob condições especiais, mas nem chega perto da velocidade da RAM; e ainda não ficou barata o suficiente para substituir nenhum dos dois diretamente (se bem que o SSD, um tipo de memória Flash adaptada para usar no lugar do HD, é uma grande aposta da indústria para os próximos anos).

Da esquerda para a direita, 20 anos de memórias usadas em Mac: a primeira é uma DIMM de 72 pinos de 4 MB de um Mac IIci; as últimas são SO-DIMM padrão DDR, usadas nos Macs Intel
Quando o HD foi inventado pela IBM nos anos 50, os computadores eletrônicos usavam uma variedade pitoresca de dispositivos de memória: bancos de relés elétricos, válvulas, matrizes de rodelas imantadas por fios, fitas magnéticas e fitas perfuradas. Tudo relativamente lerdo, e tudo relativamente caro. A memória RAM, na forma de pequeninos chips (circuitos integrados), surgiu na década de 1970. Conveniente, diminuta, rápida e indestrutível, a RAM tinha só um problema: o custo elevadíssimo.
O Apple II vinha com 4 KB (quilobytes) de memória, expansível por meio de cartões em slots. O preço original do computador era de US$ 1.298 com 4 kB de RAM, ou US$ 2.638 com o máximo de 48 kB de RAM. Note a diferença de preço!
Sete anos depois, o Macintosh estreou com 128 KB de memória soldada na placa-mãe e sem possibilidade de expansão; afinal, Steve Jobs achava que ninguém deveria precisar de mais que isso, ao menos num primeiro momento. Só que, mesmo em 1984, 128 KB era pouco, pois os aplicativos do Mac precisavam de memória adicional para exibir a interface visual. Imagine que a tela de qualquer Mac moderno tem pelo menos 1 megapixel de informação visual, o que é oito vezes mais que toda a memória disponível no Mac original!
Os desenvolvedores fizeram imensos sacrifícios para conseguir que seus programas coubessem nesses 128 KB, tendo de escrever código em Assembler (instruções enunciadas diretamente na linguagem do processador) e não implementando certas funções do sistema operacional, como a possibilidade de usar mais de um programa de cada vez (nesse ponto, a semelhança com o iPhone e o iPad não deve ser mera coincidência).
A segunda versão do Mac tinha como principal distinção a memória ampliada para 512 KB. Depois veio o Mac de 1 MB e assim por diante, sempre crescendo em múltiplos de 2. A expansão de memória tornou-se possível a partir do Mac II (1987), com pentes de memória pequeninos, chamados DIMM de 72 pinos. Mais adiante, a Apple adotou o mesmo padrão físico de memória DIMM de 168 pinos usando pelos PCs, mas ainda com alguma incompatibilidade bizarra em alguns modelos de Macs.
Os slots dessas memórias têm pequenos ressaltos localizados estrategicamente para impedir a inserção de um tipo de memória errado. Mesmo assim, não foram poucos os macmaníacos afoitos que forçaram a colocação de memória incompatível em seus Macs e queimaram a placa-mãe; no meu Museu do Mac jazem pelo menos dois modelos bege que faleceram dessa maneira.
Macs mais modernos também apresentam sua cota de bizarrices. A série de iMacs de 2002 a 2004 vinha preenchida de memória DIMM em um slot, enquanto outro slot vazio era destinado a SO-DIMM (a chamada memória de notebook, com metade do tamanho físico e bem mais cara que a DIMM).
Por fim, alguns Macs usam parte da memória DRAM como extensão da memória de vídeo, que nas máquinas mais parrudas é de um tipo mais veloz e dedicado à tarefa. Para que simplificar se podemos complicar? Felizmente, a Apple fechou com um tipo único de memória (SO-DIMM) para todos os seus Macs a partir da série Intel Core.
Colocar mais memória não acelera seu Mac; simplesmente “solta o freio” dele. Para saber se está pilotando seu Mac com o “freio puxado” sem perceber, abra o Monitor de Atividade, clique em menu Visualizar > Ícone do Dock > Mostrar Utilização da Memória e fique de olho no ícone no Dock enquanto trabalha. Você vai ver que o sistema distribui automaticamente a memória entre os programas, buscando deixar sempre um pouco livre (a fatia verde no topo do gráfico).
Quando a fatia praticamente some, é um sinal de que seu Mac está usando o HD como RAM e ficando lento. Aí, ou você fecha algumas janelas e programas ou compra mais memória. Não ache tão ruim; no Mac OS clássico, você mesmo devia determinar quanta memória cada programa podia usar sem ficar desabastecido nem desperdiçar a RAM livre da máquina. Isso, sim, exigia paciência de monge.
Mario Amaya lembra: seu primeiro Mac, o Quadra 605 de 1995, tinha 12 MB de RAM. Eram 4 MB soldados na placa-mãe e 8 MB comprados de segunda mão… por US$ 700. “Bons” tempos coisa nenhuma!


Não encontrei esse menu Visualizar > Ícone do Dock > Mostrar Utilização da Memória. Seria no Finder?
Helvecio boa noite,
o monitor de atividade é um aplicativo que fica na pasta “Utilitários”.
[ ]‘s Christo
Não foi só Bill Gates que limitou a quantidade de memória dos computadores. Jobs também errou ao pensar em apenas 128 Kb.
LeoVilleMS: como o texto acima fala, o preço da memória era tão mais alto nessa época que chega ser inconcebível para mentes atuais. Daí você não entender que a restrição da memória não era um erro, e sim uma medida de economia de custos, que no momento era essencial para a viabilidade do produto. Hoje é fácil demais chamar isso de erro. Não era.
A trava para multitarefa a nível de usuário nos iPhones não era só devido a quantidade de memória, mas também pela capacidade de processamento. Porém, isto já é passado, uma vez q o iPhoneOS 4 traz este recurso para os usuários.
Quanta informação incorreta!!!